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Brasil

Alcolumbre defende Moraes e alfineta Flávio por dinheiro a Dark Horse

"Todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões", disse Davi Alcolumbre ao reagir à pressão pelo impeachment de Alexandre de Moraes

02/09/2026 19:38, atualizado 02/09/2026 20:10
VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
Davi Alcolumbre

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), saiu em defesa, nesta quarta-feira (2/9), do ministro Alexandre de Moraes ao reagir às cobranças pelo impeachment do integrante do Supremo Tribunal Federal (STF).

Em resposta aos pares, Alcolumbre também alfinetou o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, ao fazer referência ao pedido de dinheiro feito pelo senador ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para custear a produção do filme “Dark Horse”.

A manifestação ocorreu no plenário, depois de o senador Carlos Portinho (PL-RJ) cobrar Alcolumbre sobre o avanço de pedidos de impeachment contra Moraes. O presidente do Senado disse que vinha recebendo “muitas agressões” e afirmou que pretende falar sobre o assunto de forma mais detalhada em outro momento.

Na sequência, Alcolumbre disse que faria apenas um “comentário” e disse que “todo mundo esqueceu que pediram 130 milhões para as mesmas pessoas para fazer um filme”, em referência à cinebiografia de Jair Bolsonaro.

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Áudios e mensagens revelaram que Flávio Bolsonaro pediu dinheiro a Vorcaro para financiar a produção em homenagem ao pai. Ao menos R$ 61 milhões teriam sido transferidos pelo banqueiro a um fundo responsável por custear o filme. O valor total negociado, porém, era de R$ 134 milhões.

Ao citar o episódio, Alcolumbre contrapôs as cobranças dirigidas a Moraes à relação do próprio candidato do PL com o banqueiro. O amapaense concluiu: “E, agora, o culpado é só o ministro Alexandre de Moraes”. 

“Vou voltar para a pauta aqui, porque, senão, vou ter que responder muitas agressões que, como presidente do Senado, estou recebendo nos últimos dias. Eu acho… Apenas um comentário: no momento adequado, vou falar. Todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para as mesmas pessoas para fazer um filme e, agora, o culpado só é o ministro Alexandre de Moraes. Mas vou fazer um relato de tudo o que quero falar”, declarou o senador.

Minutos antes, Davi Alcolumbre havia sido questionado pelo senador Cleitinho (Republicanos-MG) sobre se havia previsão de pautar um pedido de impeachment contra Moraes. A resposta foi direta: “Não tenho”.

Pedidos e proximidade

Alcolumbre é, nos bastidores de Brasília, um dos políticos mais próximos de Moraes. O presidente do Senado também ocupa uma posição decisiva para um eventual processo contra o ministro: cabe a ele dar andamento aos pedidos de impeachment apresentados à Casa.

Na terça-feira (1º/9), o presidente do Senado já havia evitado comentar o conteúdo das mensagens envolvendo Moraes e Vorcaro e questionado a quantidade de pedidos de impeachment apresentados contra integrantes do Supremo.

“A decisão é que tem 109 pedidos. Eu não achei nada. Não devo achar nada [da troca de mensagens que envolvem Moraes]. A minha percepção é que tem 109 pedidos. Isso não é normal. 109 pedidos de impeachment dos 10 ministros do STF”, disse.

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Moraes acumula 55 pedidos de impeachment no Senado desde 2021. A pressão aumentou após a divulgação de novas informações sobre a relação do ministro com Vorcaro. Senadores voltaram a defender o afastamento ou a renúncia do magistrado nesta semana.

O Metrópoles, na coluna Andreza Matais, revelou que o ministro André Mendonça encaminhou à Procuradoria-Geral da República (PGR) um relatório da Polícia Federal com supostas conversas entre Moraes e Vorcaro.

Em uma das mensagens extraídas do celular do banqueiro, Vorcaro indica que precisava da proteção de “Paulo” e “Andrei”. Investigadores apontam que o interlocutor era Moraes e que os nomes fariam referência, respectivamente, ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A PGR defendeu a nulidade do material.