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Se recebesse um estrangeiro em Brasília, eu o levaria diretamente ao Mangai. O restaurante é autêntico na sua proposta de oferecer comida nordestina de qualidade, com sabor que encanta o paladar e faz bem ao olhar também. O self-service paraibano (R$ 69,90 o quilo) está aí para driblar o preconceito de quem acha que pode encontrar uma comida apenas razoável nesse tipo de serviço. A soma de qualidades faz do Mangai um dos melhores regionais da capital.

AMBIENTE DESPOJADO
É muito agradável estar no restaurante. Falo isso como arquiteta e cliente. Ele possui um pé direito alto e uma bela vista da Ponte JK. A coerência e harmonia da decoração do espaço estão desde o piso até os lustres – uns feitos com peões de madeira; outros, de palha. Além disso, do lado de fora, numa espécie de varanda, redes para fazer a cesta pós-almoço. Uma gostosura de esmero.

DivulgaçãoVARIEDADE DE OPÇÕES
Desavisada, em minha primeira visita fiquei quase tonta de tantas escolhas que tive de fazer. É a maior quantidade de opções por metro quadrado em Brasília. A variedade está garantida tanto no bufê salgado quanto no doce. Saladas, arrozes, feijões, farofas, bolinhos e muitos preparos com carne seca e de sol. De doce, cartola, doce de mamão, bolo de rolo, doce de caju, bolo de macaxeira e mais outras guloseimas não tão regionais. Doce para quem gosta de doce. Uma diversidade sem fim.

GENTILEZA NO ATENDIMENTO
Os garçons lindamente uniformizados de cangaceiros são uma cortesia visual. Mas, o capricho não para por aí. Eles são educados, atenciosos e gentis no meio daquela confusão difícil de organizar. Pratos são recolhidos imediatamente após a refeição e há eficiência ao tomar nota das bebidas e em servi-las também.

DivulgaçãoQUALIDADE DOS INGREDIENTES
De onde nos servimos, podemos avistar a manipulação dos alimentos e as preparações na cozinha. Todos os funcionários vestidos como mandam as regras de segurança alimentar. Daquela cozinha, saem porções fresquinhas feitas com ingredientes de qualidade. E mais: usualmente, as carnes nordestinas – pelo processo de conservação – tendem a ser salgadas. As do Mangai têm sal na medida certa.

SABOR DA COMIDA
O resultado desse carinho na preparação é exitoso. A cada garfada completa ou ao comer apenas um dos alimentos, está lá o sabor do ingrediente. Vegetais cozidos al dente, carnes magras, sem gordura e temperos bem administrados. O Mangai traz também algumas versões interessantes com os ingredientes nordestinos como a delicada panqueca de carne de sol. Massa fina, carne crocante, bem temperada com boa harmonia no paladar.

DivulgaçãoChamou-me atenção também os alimentos fritos, como bolinhos de macaxeira e croquete de carne. Rastro de óleo quase zero. Eles permanecem quentinhos – como tudo no balcão graças à água quente que fica embaixo das cubas de metal –, são bem crocantes e sequinhos.

Apesar da multidão que se aglomera naquele imenso espaço, a experiência está longe de ser desagradável. A área é um pouco barulhenta e, de vez em quando, forma-se uma fila, que logo se dissipa. Pode ir de olho fechado, pois o Mangai surpreende.

Cortês sim; omissa, não.

DEVO IR?
Sim. E com fome.

PONTO ALTO
Organização, tempero e variedade de opções.

PONTO FRACO
Fila.

Mangai (Setor de Clubes Esportivos Sul, Trecho 2, Lote 2, 61 3252-0156).

 

 

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